Nos dias de hoje, o politicamente correto desempenha um papel importante nos debates. A preocupação é que o excesso de ensino moral possa sufocar a complexidade artística, a ambiguidade que permite várias interpretações dos personagens e a principal função do teatro, que também inclui o entretenimento e a catarse .-Não diga isso porque é considerado preconceito. -Não fale aquilo porque é visto como homofobia.- Isso é considerado racismo.- Isso é considerado intolerância.
Em um festival em que o Projeto Utopia participou, o júri era composto apenas por pessoas que defendem uma agenda política específica, a pauta LGBT+ e de minorias. O espetáculo não foi avaliado pela direção, iluminação, texto ou técnica de atuação. Ele foi medido por uma lista de critérios ideológicos. Falta de repertório: ao se concentrar apenas nas próprias causas, a banca demonstrou incapacidade de entender um espetáculo em sua profundidade.
Jurados que se consideravam progressistas aplicaram uma lógica profundamente conservadora e segregadora à arte dramática: Que você não pode interpretar o que não é. Por favor, se se um ator que não é judeu não pode interpretar um judeu, então um ator judeu também não poderia interpretar um católico? Cito o personagem Sabbatai Zevi de Tiamat. Pela lógica identitária cega do júri, quem deveria interpretar Zevi? Um ator judeu (pelo nascimento) ou um ator muçulmano (pela conversão de Zevi)? Exigir uma “pureza identitária” do ator anula a própria complexidade da peça.
O que o espetáculo Tiamat sofreu não foi uma crítica teatral, mas sim um patrulhamento ideológico imposto por um júri que colocou o dogmatismo político acima da liberdade e do conhecimento artístico.
Os pontos críticos a essa postura dos jurados são: A empatia radical – o cerne do trabalho do ator é a capacidade de se transformar em alguém que ele não é. Se um ator só pode ser interpretado a si mesmo, o teatro se torna um documentário biográfico, e não mais uma obra de ficção.
O teatro dá capacidade do ator de habitar o “Outro”. E onde fica a liberdade de expressão?
