No dia 17 de abril de 1983, nascia em Passo Fundo o Grupo Ellos, formado por colegas de escola que, mesmo com pouca ou nenhuma experiência, ousaram criar algo totalmente original. Em pouco tempo, tornaram-se um dos maiores expoentes do teatro no norte gaúcho.
O Ellos não seguiu fórmulas prontas: inventou seu próprio estilo, batizado de “teatro de ação”, marcado pela intensidade, pela fisicalidade e pela busca de um realismo cru. Suas montagens raramente deixavam de lado a violência física, transformando o palco em um espelho da realidade dura e adulta que muitas vezes se evita encarar.
Características marcantes do Grupo Ellos
- Originalidade absoluta: recusava imitar ou adaptar modelos tradicionais.
- Estilo próprio: o “teatro de ação” como assinatura artística.
- Realismo visceral: cenas fortes, sem suavizações, que confrontavam o público.
- Impacto cultural: abriu caminhos para novas formas de expressão teatral no Rio Grande do Sul.
Ao longo de seis anos, o Grupo Ellos construiu uma trajetória que não apenas marcou o teatro regional, mas também inspirou gerações de artistas a ousarem, a romperem barreiras e a acreditarem na força transformadora da arte.
Na sua origem, o Grupo Ellos foi constituído por um núcleo de jovens apaixonados pela arte, que transformaram a amizade e a curiosidade em força criativa. A formação básica reunia Nereu Lopes, Ciro Rosa, André Gaspar, Lurdes Pastorio, Vânia, Miqueias Aguiar e João Seguetto, nomes que se tornaram pilares da identidade do coletivo.
Espetáculos como Casa de Ratos, um grande sucesso de público, O Corvo, vencedor do primeiro Festival Municipal de Teatro de Passo Fundo, e que teve uma sequência e o premiado Utopia ou Incipiência, que contou com duas montagens distintas, marcaram a trajetória artística com reconhecimento e destaque.
Além desse núcleo fundador, diversos atores e atrizes passaram pelo grupo ao longo dos anos, cada um deixando sua marca e contribuindo para a construção de uma história coletiva. Essa rotatividade de talentos deu ao Ellos uma vitalidade constante, permitindo que o grupo se reinventasse sem perder sua essência.
O resultado foi uma trajetória marcada pela pluralidade de vozes e experiências, que se somaram ao estilo único do “teatro de ação”. Essa diversidade fortaleceu o Ellos como um organismo vivo, capaz de dialogar com diferentes públicos e de se manter relevante por mais de seis anos.


De certa forma, o Grupo Ellos foi um marco num tempo difícil e sem muita estrutura. Mas tinha algo que fazia uma diferença brutal no grupo: amor e união pelo teatro, não importava a hora, o lugar nem como se chegava em certos locais. Mas o Grupo Ellos chegava, se apresentava e não se importava se tinha um ou mil pessoas para assistir. A entrega, a imersão era total. Um tempo que marcou minha vida de forma muitas vezes triste, de dor, de alegria e de superação. Era uma corrente de Ellos inquebrável.