Segundo dados oficiais do IBGE, 4.272 municípios brasileiros não possuem nenhum teatro ou casa de espetáculos. Apenas 23,3% das cidades contam com esse equipamento cultural, o que significa que 76,7% da população vive em locais sem acesso direto a esse tipo de arte. Além da escassez de espaços, o preço dos ingressos, comparado ao poder de compra da população, torna o teatro ainda mais distante. Na prática, é a máquina pública, por meio de projetos de incentivo, que sustenta boa parte da produção teatral brasileira.
O desafio é enorme: Conheço pessoas nunca assistiram a uma peça, e a concorrência com o entretenimento digital é desigual. Enquanto na televisão basta trocar de canal se não gostar, o teatro exige presença, entrega e atenção. Mas como disputar espaço com o celular, que sequestra olhares e gera ansiedade a cada notificação? E o teatro contemporâneo, com uma estética meio narcisista, achando que o publico está ali para engolir um exercício de vaidade, com peças que falam do próprio teatro, da criação artística, ou da identidade do artista, em vez de se abrirem para temas universais.
É por tudo isso que 4.272 municípios brasileiro continuam sem casas de espetáculo. Consumir bens culturais é mais do que lazer: é um ato que provoca pensamento crítico, e pessoas que pensam podem transformar a realidade.
