Poucos conhecem essa história — e, curiosamente, até alguns dos que viveram aquele tempo não guardam memória dela. O espetáculo Casa de Ratos nasceu com entusiasmo e foi levado ao palco com toda a força que tínhamos. Mas, em 1984, como exigia a época, o texto precisou ser registrado e encaminhado ao SCDP, o Serviço de Censura de Diversões Públicas. A classificação recebida foi “imprópria para menores de 14 anos”. Nós esperávamos que fosse liberado para maiores de 12, porque nosso público-alvo era, sobretudo, escolar. Em Passo Fundo não havia casas de espetáculo, e essa restrição nos atingiu em cheio.

A decisão significava que a peça não poderia ser apresentada livremente até novo exame — e sabíamos que dificilmente seria aprovada, já que o espetáculo vivo era muito mais intenso do que o texto escrito deixava transparecer. O certificado provisório chegou a sair, mas nunca foi usado. Era impossível apresentar em locais que barrassem menores de 14 anos.
Assim, depois de 24 apresentações, Casa de Ratos foi descontinuada. Ficou a lembrança de um trabalho que, apesar das barreiras, marcou profundamente quem dele participou. Para nós, não foi apenas uma peça: foi um pedaço de vida, interrompido pela censura, mas guardado na memória como testemunho de um tempo em que o palco ainda lutava para existir.

O Teatro de Arena, instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), possui o texto original enviado e com os cortes obrigatórios. Até pouco tempo antes da digitalização do acervo constava nos Roteiros e Certificados da Divisão de Censura de Diversões Públicas
