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Histórias que o palco não conta – O Fusca

Existem fatos no teatro que não aparecem no palco, mas que revelam a resiliência dos grupos diante das dificuldades.

Era um sábado à tarde, no ano de 1986. Partimos em quatro integrantes rumo ao distrito de Passo Fundo chamado Campo de Meio — uma localidade rural e histórica que, mais tarde, daria origem ao município de Mato Castelhano, região tradicional e agrícola próxima a Passo Fundo. Nosso destino era o salão comunitário, onde apresentaríamos a peça “Utopia ou Incipiência”.

No caminho, as dificuldades começaram: a chuva caiu forte e os vidros do carro emperrados não subiam, deixando a água entrar. Ao chegar, iniciamos a divulgação da peça de forma simples e direta: batendo de porta em porta, convidando pessoas que nunca haviam visto teatro. “O que é isso? O que acontece numa peça?” — eram perguntas que surgiam com curiosidade genuína.

Na volta, a gasolina acabou. Ficamos parados na estrada, esperando que alguém nos ajudasse com um litro de combustível. Lembro bem de um carro que parou: uma mulher ao volante nos olhou com pena e disse, quase desculpando-se, “sinto muito, meu carro é a álcool”. Tentamos empurrar o fusca, que atolou na entrada de uma propriedade agrícola. Mas, com esforço e solidariedade, conseguimos a gasolina necessária e seguimos viagem.

Dias depois, o salão comunitário estava cheio. A apresentação aconteceu, e aquele público — que pela primeira vez via teatro — nos mostrou que a arte pode florescer mesmo em meio às maiores adversidades.

Mike Aguiar

Dramaturgo, encenador. Autor de 47 textos teatrais. Autor do Livro: Vontade Criadora- Como escrever para teatro.

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  1. Toni Campos

    Memórias importantes da trajetória do Mestre Mike