Casa de Ratos

ESTRÉIA
2 de Novembro de 1983

SINOPSE

Após o colapso nuclear entre superpotências, o mundo mergulha em silêncio e ruínas. Entre escombros radioativos e cidades devastadas, poucos sobreviventes lutam para manter a esperança diante da morte que paira no ar. Entre eles está um secretário da ONU, marcado pela culpa de ter alertado sobre a guerra sem conseguir impedir sua eclosão. Sua voz ecoa como consciência coletiva, lembrando que a tragédia não foi inevitável, mas fruto da arrogância e da cegueira humana.

No meio da desolação, pessoas comuns tentam reconstruir laços e dignidade, mesmo quando a fome, a violência e o medo corroem cada gesto. Entre elas, um casal jovem carrega a última centelha de futuro: a mulher está grávida, e o filho que esperam simboliza a possibilidade de renascimento da espécie.

Mas os militares sobreviventes, endurecidos pela lógica da guerra, veem na criança não um símbolo de esperança, mas um recurso estratégico. Para eles, o bebê é propriedade do Estado, a chave para perpetuar a humanidade sob controle militar. Assim, a mulher é raptada, transformando o ventre materno em campo de disputa.

No desfecho de Casa de Ratos não há vitória, apenas a revelação de que a guerra nuclear não destrói apenas corpos e cidades, mas também a própria essência da humanidade. O público é confrontado com a pergunta: o que resta quando até a esperança é sequestrada?

PRÊMIOS
Prêmio melhor ator para André Gaspar do III Festival Passo Fundo de Teatro

FICHA TÉCNICA

ELENCO
Ciro Rosa
André Gaspar
Nereu Lopes
Lurdes Pastório
Vânia
Luis Zanella
Joce
João Luis Seguetto
Odaglas Lopes

CENOTÉCNICA
Iluminação – ?
Sonoplastia – Mike Aguiar

Texto & Direção
Mike Aguiar

CURIOSIDADES

• O texto Casa de Ratos foi escrito em uma noite de sexta-feira, com a intenção de ser apresentado ao grupo no sábado. Sua elaboração contou apenas com comentários e sugestões trocados entre os integrantes, que serviram de base para a construção coletiva do conteúdo.

• Foram realizadas 24 apresentações da peça, sem nunca ter ocupado um teatro adequado. Já que em Passo Fundo não havia casa de espetáculos.

• Devido às dificuldades enfrentadas na época em realizar eventos culturais, o grupo precisou levar a própria sonorização. O equipamento foi instalado de forma improvisada, passando pela janela de uma casa, embaixo de chuva, graças ao apoio de um amigo que gentilmente o emprestou e depois o carro que o transportava ficou “atolado” numa rua. Mas chegou a tempo ao Colégio Notre Dame, local onde era sediado o festival.

• Devido à censura vigente, a peça foi proibida para menores, o que inviabilizou a continuidade das apresentações, geralmente voltadas ao público estudantil.