ARKANUM

ESTRÉIA
23 de Novembro de 1996
SINOPSE
Arkanum – As Duas Mortes de Anabell Lee
Foi o espetáculo mais sombrio da Companhia Elektra de Artes Cênicas. A peça narrava a trágica e enigmática história de Morpheus, o alquimista, que contrata um coveiro para desenterrar sua amada Anabell Lee, morta há treze anos. Obcecado pela ideia de vencer a morte, ele tenta trazê-la de volta à vida por meio de rituais arcanos e fórmulas proibidas.
A narrativa, conduzida pelo Hierofante – uma figura espectral e misteriosa que vagava pelo palco como se fosse a própria consciência do teatro –, mergulhava o público em um universo de amor, morte e magia. O Hierofante não apenas narrava, mas também interferia na ação, como se fosse um guardião das fronteiras entre o mundo dos vivos e o dos mortos.
A trilha sonora, composta por obras de Bach e Purcell, envolvia a plateia em uma atmosfera fúnebre e solene, intensificando o peso dramático da encenação. Cada acorde parecia ecoar como um lamento vindo das profundezas da eternidade.
A linguagem da peça evocava o estilo de Edgar Allan Poe, com imagens carregadas de melancolia, decadência e beleza macabra. O texto explorava a fragilidade da vida, a obsessão pelo amor perdido e o fascínio pelo mistério da morte.
O espetáculo não era apenas uma história, mas uma experiência sensorial: o público era conduzido por corredores de sombras, onde o tempo parecia suspenso, e cada gesto dos atores revelava o limite tênue entre paixão e loucura.
No fim, restava a pergunta: seria possível desafiar a morte sem perder a própria alma?
FICHA TÉCNICA
ELENCO
Andreia Teixeira
Luciano Lopes
Ciro Rosa
Mike Aguiar
CENOTÉCNICA
Iluminação – Vera
Sonoplastia – Marcos Lopes
Texto & Direção
Mike Aguiar
CURIOSIDADES
• O nome da personagem Anabell Lee, que foi interpretado por Andreia Teixeira, foi extraída de um poema de Edgar Alan Poe.
